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quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Cidade Limpa

A cidade de São Paulo começa o ano de 2007, colocando em prática um ambicioso projeto de lei, denominado Cidade Limpa, que obriga a retirada de outdoors, placas e outros aparatos de publicidade que infestam toda a cidade. O projeto, rigoroso e radical, foi aprovado por unanimidade na Câmara e obteve amplo apoio da população; evidentemente, sofre agora o ataque do poderoso grupo de empresas que explora a publicidade externa na cidade de São Paulo e que, através de recursos jurídicos, busca inviabilizar sua aplicação. Mas para a que a situação chegasse a este ponto, é preciso reconhecer que o limite de tolerância quanto à utilização do espaço visual público foi desafiado ao extremo e a situação caótica resultante começa a ser percebida por uma camada mais ampla da população, que antes apenas absorvia passivamente a publicidade.

No mesmo caminho de degradação visual, a cidade de Passos vive, há alguns anos o crescimento desenfreado da publicidade externa. Pouco a pouco, cada centímetro disponível na cidade vem sendo ocupado com placas de outdoors, painéis de prismas giratórios, painéis digitais, imensos painéis de fachada, além do sem-número de placas de quinta categoria esparramadas por todo o perímetro urbano.

Dezenas de placas de outdoor poluem as nossas ruas com suas estruturas caquéticas, mal-acabadas, imundas e sobre as quais raramente se colam peças com alguma qualidade de impressão; e isso para não enveredar pela seara do conteúdo. Os triedros, painéis formados por prismas giratórios, se multiplicam; onde houver uma empena de um edifício, onde houver uma marquise, pronto, está instalado um outdoor que vale por três. Logo serão substituídos pelos painéis digitais, que exibem imagens em movimento, quase uma televisão. Sem som, por enquanto, que é para não atrapalhar os carros, caminhões e motos volantes.. Esse aparato high-tech, à medida que se torna obsoleto e sem apelo nos grandes centros, é revendido a preços convidativos para mercados emergentes. Imagine agora, que serão proibidas em São Paulo e em outras cidades que estão se despertando para o bom senso urbano. Preparem-se uma derrama de parafernálias de comunicação nas suas cabeças.

A primeira vista, pode parecer uma "mudernidade" um painel fotográfico front-light, ocupando toda a lateral de um edifício no centro da cidade, conferindo um ar de capital, de Times Square, coisa de outro mundo. Como artista gráfico, admito que as peça seja chamativa e tenha impacto visual, mas como arquiteto, vejo uma agressão a um edifício que, ao contrário, merecia ter suas características modernistas valorizadas, recuperadas. Imaginem se cada condomínio da cidade se encantar com as merrecas recebidas pela cessão de suas empenas cegas ou de seus topos...Banco do Brasil, Credireal, Galé, Angelina e José, José e Lucila...Se os "predinhos" de 3 andares aderirem, então, vai ser uma verdadeira revista em 3D.

Seria muito útil que os vereadores – pelo menos aqueles que ainda se preocupam um pouco com o futuro da nossa cidade – dessem uma lida nos propósitos e medidas propostas pelo Projeto Cidade Limpa e refletissem um pouco sobre este tema. Vão ouvir a lamúria daqueles que sobrevivem deste mau uso do espaço urbano, dizendo que empresas vão fechar, que empregos serão extintos, que famílias vão passar fome, enfim, argumentos semelhantes aos daqueles que defendem os bingos, o jogo de bicho ou o comércio clandestino. Outros, mais prolixos, vão dizer que a publicidade faz parte da linguagem urbana do século XXI e que seria um retrocesso a proibição. Mas não haverá quem, ainda que no íntimo, não reconheça a necessidade de um controle mais efetivo sobre o caos visual que se vem se instalando e que ainda pode piorar muito.
Não defendo a proscrição da publicidade externa, a purificação total da cidade, que ficaria monótona e chata, mas entendo como necessária uma intervenção radical, como a da Lei Cidade Limpa, até que se encontre uma forma isenta de análise de cada situação, independente de influências políticas ou econômicas.

As cidades precisam voltar a se enxergar, a conhecer a imagem que realmente têm, as características cobertas pelas placas e sobretudo os defeitos que estas placas eventualmente ocultem. Talvez assim, consigamos enxergar o estado decrépito em que se encontram muitas regiões de nossa cidade, o abandono de algumas praças e construções e cobremos ação das autoridades competentes. E então, quem sabe um dia, as pessoas voltem a se preocupar com o visual das construções que erguem, para que valorizem o ambiente urbano ao contrário do que fazem os inúmeros puxadinhos e meias-águas que se vê por Passos. Não vai ser apenas investindo em obras vistosas que a Prefeitura vai mudar a cara da nossa cidade; é preciso investir em conservação, em fiscalização, em regulamentação. Tudo isto ajuda a formar aquilo que realmente faz a diferença: a consciência da responsabilidade de cada cidadão.

Ivan Vasconcellos - Arquiteto

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

ERGONOMIA: A FAVOR DO TRABALHO


FLEXIBILIDADE DE USO, CONFORTO AMBIENTAL E ERGONOMIA SÃO ALGUNS DOS FATORES DECISIVOS QUE GERAM ESPAÇOS CORPORATIVOS AGRADÁVEIS E ESTIMULANTES.
Por Silvana Maria Rosso

Ao projetar um ambiente corporativo, se por um lado é importante promover a integração, por outro, deve-se levar em conta o indivíduo e as possíveis interferências externas, preservando a sua privacidade.
"Um espaço bem planejado facilita o desempenho das atividades, trazendo mais produtividade e,
onseqüentemente, preservando a auto-estima das pessoas", ressalta Isabel Ária, diretora da Satôria, empresa de estratégias de recursos humanos. O diagnóstico realizado com cada funcionário e com a equipe tem levado a novas interpretações dos espaços. Projetos corporativos começam a prever áreas especiais para convivência, pesquisa, pequenas refeições e "até para cuidados com a saúde", destaca Isabel. "É preciso conhecer as pessoas que vão ocupá-lo e suas necessidades individuais e coletivas, o trabalho a ser realizado, o fluxo da informação, a cultura da empresa e onde ela quer chegar", alega. "Não se deve esquecer da identidade corporativa, que precisa estar intrínseca à estética do projeto", acrescenta a arquiteta Ana Mello, mestre em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP e docente da pós-graduação do Centro Universitário Senac. Atualmente, o ambiente de trabalho é um reflexo da filosofia e da imagem da corporação, mostrando a importância de cada colaborador e do próprio cliente em sua cadeia produtiva.
"O tamanho da mesa, por exemplo, já não determina a hierarquia que a pessoa ocupa e sim as necessidades da atividade", explica Heloisa Dabus, da Dabus Arquitetura.

Versatilidade para mudanças

As empresas ampliam ou reduzem os postos de acordo com as suas necessidades momentâneas e as rápidas transformações tecnológicas também exigem flexibilidade e agilidade na hora de instalar novos equipamentos.Assim, o mobiliário deve permitir a alteração de layout sem maiores transtornos e obras, enfatiza a arquiteta Lua Nitsche, que prefere as instalações aparentes, mesas e cadeiras padronizadas, facilitando futuras mudanças. Heloisa Dabus é adepta do open space, que, segundo ela, é mais barato e consente a expansão sem a necessidade de mexer na infra-estrutura. Segundo Heloisa, o piso elevado assim como as divisórias e biombos que embutem as instalações propiciam espaços mais versáteis.
Conforto ambiental e sustentabilidadeExcesso ou carência de luz, calor e ventilação, e a interferência de ruídos externos e internos podem causar desconforto e diminuir a produtividade do funcionário. "No entanto, a resposta a esses estímulos é única e, por isso, o conforto ambiental deve ser estudado de maneira abrangente", sugere a arquiteta Joana Gonçalves, professora de sustentabilidade e conforto ambiental da FAUUSP.As medidas para garantir o bem-estar variam de acordo com cada espaço.
Mas muitos problemas de interiores acontecem devido à má arquitetura, alerta Gilda Collet Bruna, arquiteta e coordenadora da pós-graduação de arquitetura e urbanismo do Mackenzie. "O uso abusivo do vidro, por exemplo, gera um clima interno inadequado, pois a radiação do sol converte-se em calor que depois deve ser retirado", alerta Gilda.O controle apropriado da incidência solar, da ventilação natural, da umidade e do resfriamento do ar traz benefícios sobre o rendimento do funcionário e gera ambientes eficientes, sustentáveis e econômicos. Já os ruídos do ambiente podem ser minimizados com a setorização das atividades, evitando possíveis conflitos, e com o confinamento de áreas que exigem sigilo e privacidade, além dos forros acústicos e as divisórias tratadas especialmente, relata o arquiteto João Gualberto Baring, professor doutor em acústica de edificações da FAUUSP.


Móveis funcionais e ergonômicos

O bem-estar do usuário está diretamente relacionado à adequação do mobiliário às suas necessidades de uso e características físicas. Para um sentar confortável, a cadeira deve propiciar boa sustentação lombar, assegurando aos pés apoio no piso e, às pernas, livre movimentação, evitando que sofram pressão nas coxas e nas panturrilhas. "O ideal é que a cadeira possa abaixar-se no mínimo até 32 cm", ensina o designer João Bezerra Menezes, professor de ergonomia e de design e arquitetura da FAUUSP.
De acordo com Menezes, a altura ideal do plano de trabalho é entre 65 cm e 75 cm. Se o layout do mobiliário não permitir o apoio dos membros superiores na superfície de trabalho, ele pode ser garantido com a sustentação dos braços da cadeira, que também devem possibilitar os ajustes de altura e largura.

(Publicado na Revista AU, da Editora PINI)

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Alvenaria racionalizada

Pesquisadores ensinam como fazer um bom projeto de alvenaria

A racionalização construtiva pode ser entendida como a aplicação mais eficiente dos recursos em todas as atividades desenvolvidas para a construção do edifício. Algumas das diretrizes de produção desenvolvidas inicialmente para a alvenaria estrutural são estendidas à alvenaria de vedação.



Quando se pretende implantar conceitos de racionalização da construção, deve-se iniciar pela estrutura da edificação. Em seguida, deve-se priorizar a alvenaria de vedação. Isso porque o subsistema de vedação vertical interfere com os demais subsistemas da edificação: revestimento, impermeabilização, esquadrias, instalações elétricas e de comunicação, instalações hidrossanitárias etc. Todos esses serviços somados representam uma parcela considerável do custo de uma obra.
Veja no site da Revista Techné, aberto a não assinantes até 17 de dezembro, uma matéria completa que mostra como fazer um bom projeto de alvenaria racionalizada:

sábado, 25 de novembro de 2006

Sketches of Frank Gehry

Leia o depoimento de Sidney Pollack sobre este encontro mágico do cineasta com o arquiteto.
Publicado por Carta Maior - ANSA


CANNES - O nome de Frank Gehry é mundialmente conhecido entre os apaixonados por arte contemporânea e formas geniais da criação arquitetônica. Do museu Guggenheim de Bilbao à sala de concerto Walt Disney de Los Angeles, da residência Norton de Venice à casa Gehry de Santa Monica, o seu gênio compete com o de Franklin Lloyd Whright.

O que torna o documentário ''Sketches of Frank Gehry'' assinado por Sydney Pollack um objeto de culto, a ponto de ter sido escolhido também pelo Festival de Cannes (depois de Toronto e Tribeca), é o encontro excepcional de duas personalidades tão distintas quanto capazes de se entenderem logo no primeiro olhar.''Nunca senti aptidão pelo filme-documentário, exceto algumas vezes como espectador", comenta divertido Sydney Pollack. "Além disso nunca pensei que a minha amizade pessoal com Frank poderia se traduzir em um filme". "Conheci-o há muitos anos, em uma festa oferecida pelo psicanalista de minha esposa, do qual ele também era paciente. Além disso, minha mulher já tinha trabalhado no seu escritório, apesar de nunca ter praticado de fato a profissão, a não ser para construir uma única casa para um outro amigo, Robert Redford".

"Quando em 1997 visitei pela primeira vez o museu de Bilbao fiquei fortemente impressionado, mas disse para mim mesmo que aquele gênio criativo em nada se parecia com o senhor esquivo que ocasionalmente encontrava em jantares e que me honrava com a sua amizade. O fato é que, uma certa noite, Frank confidenciou-me que já não agüentava receber tantas propostas para um filme sobre ele.

Quase por brincadeira imaginamos que eu poderia resolver o problema posto que não entendia nada de arquitetura e, portanto, tinha um olhar isento de todo preconceito, inclusive os positivos"."Falamos disso, mas nenhum dos dois levou o assunto muito a sério, apesar da idéia começar a criar formas na minha cabeça. O empurrão definitivo foi dado por um grande pintor japonês, Hiro Yamagata, sob a forma de um cheque para executar o projeto"."Pensei que valeria a pena fazer diversas entrevistas, visitar lugares, registrar reflexões para ver o que sairia disso tudo. Cheguei até a viajar pela Europa com uma equipe para coletar material, mas foi a insistência da televisão pública norte-americana PBS que me obrigou a comparecer à casa Gehry com a filmadora em punho (era impossível submetê-lo às técnicas normais de filmagem) e completar o trabalho com as conversas as mais extemporâneas"."Para ter outras opções de campo à disposição, também confiei filmadoras aos meus colaboradores e é por isso que, traiçoeiramente, apareço na última filmagem".

"O trabalho todo exigiu cinco anos justamente porque nenhum dos dois estava convencido do resultado"."No ano passado, quando conclui o meu último filme, dediquei-me seriamente ao projeto, superei toda desconfiança, aprendi mil coisas sobre técnicas de documentário e aqui está o resultado.

Ainda hoje me apavora a idéia de apresentá-lo na grande tela para um público igualmente grande e exigente".À pergunta sobre qual é a relação entre o trabalho de um cineasta e o de um arquiteto, Pollack responde: "De um lado a técnica, posto que ambos sabem o quanto é importante o uso da luz. De outro o método de trabalho, já que nenhum dos dois pode construir o próprio 'palacete' sem contar com a colaboração de muita gente mais talentosa do que nós em setores específicos.

Para chegar à solução final do fio condutor da narrativa, inspirei-me na mania de Frank de fazer constantes esboços das próprias idéias. O nascimento no papel de construções geniais, aparentemente impossíveis, me fez sentir parte integrante da criação artística". (ANSA)

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Resolução 1010

Publicado no site do CREA-MG

Participe das discussões sobre sua legislação profissional Dê sua sugestão no texto da Resolução 1010/05. O documento foi aprovado no Plenário do Confea em agosto de 2005 e deveria entrar em vigor em agosto deste ano. Em função de vários pontos polêmicos levantados pelos regionais o Confea alterou a data de entrada em vigor para que os profissionais possam se manifestar, fazendo propostas para a nova redação.
Para saber mais
A Resolução 1010 substitui a 218/73, que trata das atribuições profissionais. A diferença é que a 218 discrimina as atividades das diferentes modalidades profissionais, bem como as competências dos profissionais de acordo com sua área de formação. O artigo 25 da referida resolução diz que as competências decorrem da graduação do profissional e ensejam a extensão das atribuições desde que sejam na mesma modalidade. A Resolução 1010 adota o princípio da flexibilização que caracteriza as atuais diretrizes curriculares, no sentido de conceder título, atribuição e competência profissional. A polêmica do texto fica por conta dos anexos II e III, que tratam das atribuições de competências e dos critérios e procedimentos para atribuição de títulos. Faça download dos documentos e dê sua opinião. Não deixe de participar dessa discussão que impacta na sua atuação profissional.

Download Resolução
Download Anexo I
Download Anexo II
Download Anexo III

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Nádia Freire apresenta artigo na SOBRAC

Nádia Freire, arquiteta, apresenta, nesta quinta-feira (23/11), um artigo sobre acústica de salas de aula em escolas de ensino de linguas no I - Simpósio de Acústica de Salas, Edificações e Escolas – SIBRASE XXI - Encontro da Sociedade Brasileira de Acústica – SOBRAC, que será realizado em São Paulo. Aqui está um resumo sobre o artigo, quem se interessar pelo artigo completo entre em contato comigo para que possa enviá-lo. Título do artigo: Avaliação acústica de salas de aula de dimensões reduzidas através da técnica impulsiva. Resumo: As condições acústicas ideais para um ambiente dependem da atividade nele desenvolvida. Os parâmetros de conforto específicos dos espaços escolares se referem aos baixos níveis de ruído para o favorecimento da concentração para trabalho intelectual e boa qualidade sonora. A interferência do ruído externo e a reverberação na sala são dois fatores importantes para a inteligibilidade. No caso das salas de aula, para garantir a nitidez dos sons pronunciados, com suficiente intensidade e sem distorções é necessário que o ambiente tenha um bom desempenho acústico, promovendo o aprendizado. Esta preocupação se torna ainda maior quando nos referimos aos espaços destinados ao ensino de língua estrangeira. Esta pesquisa avalia o desempenho acústico de salas de aula de dimensões reduzidas usadas em escolas de idiomas visando a qualidade da inteligibilidade. Os parâmetros acústicos medidos foram: nível de pressão sonora por freqüência e equivalente para medir o ruído de fundo e tempo de reverberação. Em seguida, foi feita uma análise e discussão dos resultados encontrados para verificar se atendem às normas para conforto acústico brasileiras e índices recomendados por pesquisas nacionais e internacionais. Nas salas de aulas avaliadas, a qualidade da inteligibilidade está comprometida, pois nenhuma atende a todos os parâmetros avaliados.

Criatividade na Arquitetura

Por Sérgio Teperman
Enviado por José Luis Navarro, arquiteto (Ribeirão Preto)

“... Existe uma distorção mental de formação dos arquitetos e isso é muito enfatizado no Brasil, que liga criatividade somente a belos ante-projetos. Se você considerar outras disciplinas do conhecimento, artísticas ou não, a palavra criatividade é encarada de outra forma. Um projetista de máquinas empenha todos os seus esforços e a sua imaginação para que a máquina e todas as suas centenas de engrenagens, parafusos, circuitos eletrônicos, executem o melhor trabalho, mais eficiente, mais preciso, mais rápido, mais econômico, com menos desperdício de energia, menos ruído, menos poluição, ocupando o mínimo de espaço, que seja fácil de manter, consertar, modificar, transportar, etc. Enfim para o projeto de uma máquina é necessária uma enorme dose de imaginação e o que chamamos de criatividade. Essa imaginação não se detêm no conceito da máquina, ela vai na solução de todo o seu funcionamento, de cada movimento, considerando todos os itens que citei anteriormente.(...) ... Eu acredito que a criatividade na Arquitetura está não só no projeto, mas na solução de cada detalhe, na especificação adequada e como a técnica é fundamental (Arquitetura não é escultura nem pintura), a imaginação está também e principalmente em desenvolver técnicas e resolver interferências de forma criativa e assim, não como engenheiros, que simplesmente dão um jeito, como arquitetos resolvemos questões técnicas levando em conta principalmente o espaço que uma solução vai determinar.(...)” ... Arquitetura é para ser usada por séculos, ou às vezes milênios, ela pode respirar arte, mas se alimenta de técnica. A criatividade está em controlar este metabolismo.(...)

Sérgio Teperman é arquiteto formado em 1960 na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e com mestrado na mesma faculdade.

VALE A PENA LER O TEXTO INTEGRAL : http://www.idea.org.br/programas/01.htm

INSTITUTO PARA O DESENHO AVANÇADO IDEA CLUBE DAS IDÉIAS Palestra 1ª Reunião do Clube das Idéias Palestrante: Sérgio Teperman : "CRIATIVIDADE NA ARQUITETURA" (

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Quanto vale o seu projeto?

Por Juliana Nakamura, para a Revista AU.

A competição acirrada e a oferta desproporcional de profissionais em relação à demanda por trabalhos têm pressionado a remuneração dos arquitetos, que cobram cada vez menos pelos seus projetos. A cultura de valorizar mais as etapas de execução do que as de preparação e planejamento, assim como leis do tipo da número 8666, que trata das licitações públicas e privilegia a escolha pelo menor preço, colaboram para tornar o cenário ainda mais perverso. A seriedade da situação é tamanha que, em alguns casos, dependendo do porte do projeto e da estrutura do escritório, a realização de um serviço pode significar perda de dinheiro. Diante desse fenômeno, que acomete também outros setores da economia, calcular corretamente o custo dos trabalhos, incluindo a especificação clara de suas etapas e conteúdo, tornou-se vital. Até porque sensibilizar o cliente quanto ao volume de trabalho e os custos embutidos tem sido uma tarefa cada vez mais árdua.
"A situação é muito difícil e apenas alguns privilegiados estão conseguindo sobreviver com estruturas tradicionais", resume o arquiteto Bruno Padovano. "Com a intensa entrada de novos profissionais no mercado e a luta suicida por trabalhos, os arquitetos têm se sujeitado a situações inviáveis. A conseqüência é a perda da qualidade", lamenta o arquiteto Gilberto Belleza, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-Nacional).
Um estudo desenvolvido pelo arquiteto Aníbal Coutinho mostra o tamanho da defasagem entre o que ganham os profissionais no Brasil em relação aos colegas de profissão de países desenvolvidos. Segundo ele, em termos absolutos, os honorários do arquiteto brasileiro são naturalmente mais baixos, afinal aqui a mão-de-obra é mais barata e a complexidade das obras é menor. O problema, porém, é que em termos relativos, essa remuneração também é inferior. "Ao pegarmos o valor cobrado pelo arquiteto e transformarmos em uma parcela do valor total da obra, descobrimos que os honorários aplicados no Brasil chegam a ser 1/5 dos praticados no exterior", conta. Enquanto nos Estados Unidos as etapas de projetos são responsáveis por entre 7 e 8% do valor da obra, aqui essa participação fica entre 3 e 4%. "Há um problema de auto-estima", resume Coutinho. "Por receio de ficar sem o cliente, o preço inicial apresentado pelo arquiteto já é baixo. Só que esse valor diminui ainda mais após o processo de negociação e durante a construção, em virtude de contratos malfeitos que não contemplam as situações previsíveis", diz.
Se todos concordam que a remuneração aplicada é deficiente, há divergências sobre a forma de cálculo dos honorários e do preço dos projetos. Tradicionalmente, o método mais utilizado se baseia em uma proporção do valor estimado da obra. Acompanhado por entidades como a Union Internationale des Architectes (UIA) e a Panamerican Federation of Architects Associations (FPAA), o IAB recomenda esse modelo. "Trata-se de uma alternativa comumente utilizada no mundo todo e representa um valor proporcional ao serviço a ser executado. Além disso, esse sistema pode coibir a concorrência desleal de preços", comenta Belleza. Como referência, o Instituto disponibiliza a seus associados uma Tabela de Honorários, prática seguida também por outras associações de arquitetos, como a Associação Brasileira de Paisagismo (Abap). "Esta é uma fórmula já consagrada", diz Eduardo Barra, presidente da Abap. Barra ressalva, entretanto, que em casos mais complexos, em que o cálculo a partir da área se mostre inadequado, deve-se recorrer à composição de custos pelo valor das horas técnicas consumidas pela equipe envolvida no projeto.
A cobrança de honorários com base em horas técnicas é apontada como uma tendência mundial pela AsBEA, que tem defendido esse método por acreditar que há, no mercado atual, uma desvinculação entre o valor cobrado pelos profissionais e o custo real do trabalho. "As tabelas de referência são extremamente prejudiciais para os arquitetos porque não funcionam como piso, mas como teto, uma referência contra a qual o cliente briga incessantemente", avalia Aníbal Coutinho, para quem o método mais justo tanto para clientes quanto para arquitetos é aquele que leva em consideração a complexidade do trabalho, o tamanho da equipe envolvida e o tempo que vai demandar. "Outro equívoco das tabelas é não fazer distinção entre o serviço realizado pelo profissional recém-formado e o que tem larga experiência", acrescenta o arquiteto Pedro Gabriel de Castro, vice-presidente da AsBEA-RS.
A justificativa para a mudança na forma de calcular a remuneração passa pelo aumento da complexidade dos projetos. "Se por um lado o computador facilitou as atividades, por outro permitiu a idealização de formas mais ousadas", afirma o arquiteto Henrique Cambiaghi. Para essa maior complexidade dos projetos também contribui o crescente processo de industrialização dos componentes da construção, o que resulta em mais tecnologia embarcada e mais tarefas a realizar por metro quadrado. Cambiaghi lembra ainda que outro fator a agravar a situação financeira dos escritórios é que os arquitetos nem sempre estão suficientemente preparados para administrar uma empresa e lidar com a parte contábil.
Pedro Gabriel concorda e ressalta que freqüentemente os profissionais esquecem de incluir na conta os custos indiretos, a depreciação dos equipamentos, a reserva de contingência e as horas improdutivas. "Todo escritório tem horas de trabalho ociosas, geralmente em torno de 20%, que precisam ser remuneradas", ressalta o arquiteto.

Escopo do trabalho

Em um contexto de baixas remunerações, a definição do escopo do trabalho deve ser ainda mais precisa, sobretudo para os arquitetos, que precisam evitar conflitos com os clientes e minimizar ao máximo as perdas com a realização de tarefas pelas quais não foi contratado e que, por isso, deveriam ser pagas à parte. Ao mesmo tempo, o escopo é uma segurança para o contratante, que tem, por escrito, a lista de todos os serviços pelos quais está pagando. "Durante as tomadas de preços, freqüentemente constatamos que o concorrente cobrou menos porque se propôs a fazer menos! Então, o cliente compra o serviço pela metade convicto de que fez um grande negócio", conta Eduardo Barra.
A necessidade de sistematizar o escopo de trabalho não é de hoje. Tanto que, em 2000, a AsBEA e a PINI lançaram o Manual de Contratação de Serviços de Arquitetura & Urbanismo, que aborda desde o escopo de trabalho, até honorários e formas de contratação. Na tentativa de complementar a bibliografia de referência para contratação de arquitetura, foi lançado recentemente o Manual de Escopo de Projetos, disponibilizado para download na página da AsBEA na internet. Desenvolvido com base na NBR 13.531/95 e em interação com outros manuais de escopo de projeto (estrutura, instalações prediais, ar-condicionado e coordenação de projetos), a publicação se caracteriza por distinguir os serviços em três categorias: essenciais, específicos (produtos complementares, não usuais, que são adicionais aos serviços essenciais) e opcionais (serviços especializados, normalmente executados por outros escritórios). "A idéia é eliminar os ruídos de comunicação entre contratado e contratante e deixar claro as tarefas que cada um se compromete a fazer", explica Henrique Cambiaghi, responsável pelo trabalho em parceria com o arquiteto Roberto Amá. Cambiaghi diz que atualmente, quando o cliente contrata um projeto, em geral julga que tudo está dentro do escopo de trabalho do arquiteto. "A idéia é esclarecer para o cliente o que exatamente está contratando", diz Cambiaghi.
Nesse sentido, uma planilha recém-lançada pela AsBEA pretende auxiliar os profissionais a calcular o valor de seus projetos. "O objetivo é criar um ponto de equilíbrio dentro de cada projeto, pois seu valor será calculado de acordo com as horas trabalhadas e com a estrutura com que cada escritório conta", explica Pedro Gabriel, responsável pelo trabalho em conjunto com a consultora em gestão empresarial Fernanda Zannoni. Ao todo são cinco planilhas de Excel que se adaptam a qualquer porte de escritório de arquitetura. Nelas são relacionados e orçados, um a um, e em horas, todos os itens que compõem o escopo de um projeto. Ao final, obtém-se uma hora técnica única do escritório, sobre a qual incidem impostos e eventuais participações. A esse segundo valor é acrescida a taxa de lucro desejada, a critério do escritório, mas que deve ser de, no mínimo, 30%. "Para ter a aceitação dos clientes, porém, é importante fornecer ao contratante um preço fechado baseado no orçamento antecipado feito pelo escritório para aquele projeto. Assim, apenas as atividades fora do acordo seriam remuneradas à parte", ressalta Pedro Gabriel.

O peso da estrutura

Até por uma questão de sobrevivência, enxugar a estrutura do escritório e tornar os processos internos mais produtivos tornou-se determinante nesse cenário. É natural que o profissional que trabalha sozinho, apenas com um computador, consiga um custo básico de produção menor do que o profissional que mantém um escritório e uma grande equipe. "Por outro lado, é de se esperar que esse último tenha chances de desenvolver grandes projetos em menor tempo, ou vários pequenos projetos em paralelo, compensando, assim, seu investimento em estrutura e pulverizando o impacto que ela poderia representar no custo final do projeto", argumenta Eduardo Barra. Uma maneira de reduzir alguns custos é sistematizar os processos internos. "O retrabalho, as horas perdidas, as tomadas de decisão em momentos inoportunos são coisas que só contribuem para a queda da produtividade do escritório. Daí a importância de haver uma eficiente organização interna", comenta Henrique Cambiaghi.
Mais drástica, outra alternativa é aliar o conceito de associação de profissionais em rede, substituindo os profissionais contratados por parceiros. Bruno Padovano, um dos precursores desse modelo de escritório de arquitetura no Brasil, comenta que com o uso da internet como ferramenta integradora é possível criar "escritórios virtuais", eliminando custos intrínsecos à estrutura de um escritório convencional, como aluguel, impostos prediais e funcionários como secretária e office-boy. "Os custos operacionais de um escritório tradicional são muito elevados e, no meu caso, tornou-se inviável financeiramente", conta o arquiteto, que trabalha há cerca de cinco anos dessa maneira. Mas além de resolver questões internas, os arquitetos precisam lidar também com obstáculos externos. Um dos piores são os clientes que ainda vêem o projeto como custo e não investimento. "Na maioria das vezes, perde-se horas a fio discutindo o valor dos honorários, desviando-se do foco principal que deve ser o que e como será entregue o projeto", lamenta Henrique Cambiaghi. "Compara-se preço, mas não se considera conteúdo e qualidade", diz. Para ele, seria fundamental elevar a percepção de que para se obter construções de melhor qualidade, e de menor custo, é fundamental investir mais tempo e recursos nessa fase do processo. "Enquanto a sociedade não encarar o projeto como o principal mecanismo de controle de custos e de qualidade, continuaremos enfrentando situações de baixa remuneração em projetos e de irregularidades em obras", acrescenta Gilberto Belleza.

LIBERDADE PARA NEGOCIAR

Nos Estados Unidos, assim como nos países da Comunidade Européia, nos últimos vinte anos o movimento de abolição das tabelas de honorários vem crescendo. Entre os norte-americanos, inclusive, a aplicação desse tipo de tabela é proibida desde 1976. Em geral, fica a critério dos arquitetos escolher a maneira de calcular seus honorários. A liberdade é tamanha que as iniciativas de entidades como a AIA (The American Institute of Architects) são mais no sentido de prover maior ética concorrencial do que em assegurar o quanto cada profissional deve receber. Há, inclusive, uma série de documentos e ações antitruste.
Segundo pesquisa do arquiteto Aníbal Coutinho, quase 50% dos escritórios norte-americanos cobra por tempo alocado, enquanto que somente 3% dos escritórios calculam seus preços sobre uma porcentagem do custo total da obra. No Reino Unido, a situação é semelhante e os associados do Riba (Royal Institute of British Architects) também têm aderido cada vez mais à cobrança por tempo de trabalho despendido. Não à toa, a associação tem trabalhado na elaboração de um manual para cálculo e negociação de honorários, que deverá ser publicado ainda em 2006 e levará em conta o tempo e recursos gastos para desenvolvimento do serviço, assim como o grau de riscos envolvidos. "O antigo método de tabelas de honorários não é mais apropriado para a complexidade dos projetos de arquitetura praticada hoje", assegura a entidade em comunicado oficial.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Artigos

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